terça-feira, 19 de abril de 2011

19.04.2011

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;


É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões


Senhor Luís de Camões, adoro este poema, mas cheguei à conclusão que tem muitas incongruências! Amor é isso? Não vejo isso assim! Então aquela primeira frase, é desejo! O desejo não precisa cá dessa coisa chamada Amor! Acho que tudo se aplica mesmo! Apenas o terceiro verso pode falar desso bicho irracional, e eis que é bem pejorativo! Pode ainda ser um verso que retrate tendências masoquistas… O amor é uma doença! O desejo/paixão é que move montanhas! Quando esse acaba e só o amor fica, cria-se uma situação insustentável: dependência irracional, insatisfação da necessidade inalcançável, humilhação, perda de orgulho próprio ou mesmo toda a nossa dignidade e eis que a auto-estima fica um caco! O amor tem data de validade, e dura até que se acabe a parte saudável – esse dito desejo/paixão. Querer ser para O outro menos do que queremos ser para nós é doentio, é o primeiro passo para odiar o outro e a nós próprios. Podemos viver sem amor, pelo menos este de que falamos, porque a paixão é mais e melhor e se fosse o amor a acabar primeiro ficava uma união mais simples, realista e saudável! Eu quero paixão. Quero dizer “Quero-te” bem mais do que “Amo-te”. Quero esta coisa palpável! Cá amor não sobrevive sozinho! Querer ser mais para o outro do que para nós não pode, aliás, não deve acontecer! Admitantemos a verdadeira verdade: ficar por amor é ficar por comodismo, por receio, pela insegurança e pela familiaridade com o outro! O amor é bonito pois é, mas o platónico é mauzinho, vá péssimo. Ninguém merece ficar a vida toda á espera de um Amor utópico, desta anedota masuquista :“Love is the ultimate thing to find happyness”. Abramos os olhos!

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